A produção de conhecimentos nunca está dissociada das condições políticas, econômicas e sociais em que se realiza. Quem pode produzir conhecimento, quais saberes são legitimados, quais interesses orientam os modos de se fazer ciências e quem se beneficia de seus resultados são questões centrais para os Estudos Sociais das Ciências e das Tecnologias (CTS). No segundo turno das eleições presidenciais, está em disputa o projeto de sociedade em que queremos viver e produzir conhecimentos.
A ESOCITE.BR - Associação Brasileira de Estudos Sociais das Ciências e das Tecnologias compreende que as ciências não se desenvolvem isoladamente dos conflitos sociais, das relações de poder e das disputas em torno dos recursos públicos. A defesa das ciências exige instituições fortes, liberdade de produção da pesquisa, financiamento adequado, educação democrática e compromisso com a redução das desigualdades. Exige enfrentar a dependência científica e tecnológica do país, a concentração de riqueza e as estruturas que historicamente subordinam a produção de conhecimento no Brasil. Exige, ainda, reconhecer que as desigualdades de classe, raça e gênero atravessam a produção científica e tecnológica, condicionando quem tem acesso à educação, quem pode produzir conhecimento e quais experiências e saberes são reconhecidos.
O bolsonarismo, representado nessa eleição por Flávio Bolsonaro, se contrapõe diretamente a esses princípios comprometidos com a pluralidade.
O negacionismo científico, os ataques às instituições públicas, a disseminação sistemática de desinformação e a deslegitimação de pesquisadoras e pesquisadores, educadoras e educadores e jornalistas integram uma prática política que compromete as condições de produção e circulação do conhecimento. Seu autoritarismo e sua relação com a violência ameaçam direitos, restringem o debate público e corroem as bases da convivência democrática. A aproximação entre setores da extrema direita e grupos ligados a práticas milicianas também evidencia os riscos de naturalizar a violência e substituir a garantia pública de direitos pela coerção e pelo poder privado.
O autoritarismo também se expressa na produção e no aprofundamento de desigualdades, na desqualificação de políticas de ação afirmativa e na legitimação de discursos racistas, misóginos, LGBTfóbicos e de intolerância contra diferentes grupos sociais. Mulheres, população negra, povos indígenas, população LGBTQIA+ e outros grupos historicamente marginalizados tornam-se alvos de discursos de ódio, da negação de direitos e de políticas que ameaçam suas condições de existência.
A ESOCITE.BR reconhece na candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva como a única alternativa para a defesa da democracia, das instituições públicas, da ciência, da educação e dos direitos sociais diante da ameaça representada pelo projeto bolsonarista.
Por essas razões, a ESOCITE.BR manifesta seu apoio à candidatura de Lula - 13, no segundo turno das eleições presidenciais. Esse posicionamento decorre do reconhecimento de que as condições de produção do conhecimento, a autonomia científica e tecnológica e a construção de futuros menos desiguais são inseparáveis da defesa da democracia, dos direitos humanos e de uma sociedade plural.
Pela democracia, pela soberania nacional, pela ciência pública, pela educação e pela igualdade social.


