A ESOCITE.BR – Associação Brasileira de Estudos Sociais das Ciências e das Tecnologias integra o colegiado eleitoral do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br).
O CGI.br é responsável por estabelecer diretrizes estratégicas para o desenvolvimento e o uso da Internet no país, promovendo iniciativas voltadas à segurança, à qualidade técnica, à pesquisa e à inovação.
A participação da ESOCITE.BR nesse espaço reafirma a importância dos estudos sociais das ciências e das tecnologias nos debates sobre a governança da Internet. Também fortalece o compromisso da associação com a democratização das tecnologias, a ampliação da participação social e a construção de uma Internet mais democrática e inclusiva.
NOTÍCIAS - COLUNAS
A produção de conhecimentos nunca está dissociada das condições políticas, econômicas e sociais em que se realiza. Quem pode produzir conhecimento, quais saberes são legitimados, quais interesses orientam os modos de se fazer ciências e quem se beneficia de seus resultados são questões centrais para os Estudos Sociais das Ciências e das Tecnologias (CTS). No segundo turno das eleições presidenciais, está em disputa o projeto de sociedade em que queremos viver e produzir conhecimentos.
A ESOCITE.BR - Associação Brasileira de Estudos Sociais das Ciências e das Tecnologias compreende que as ciências não se desenvolvem isoladamente dos conflitos sociais, das relações de poder e das disputas em torno dos recursos públicos. A defesa das ciências exige instituições fortes, liberdade de produção da pesquisa, financiamento adequado, educação democrática e compromisso com a redução das desigualdades. Exige enfrentar a dependência científica e tecnológica do país, a concentração de riqueza e as estruturas que historicamente subordinam a produção de conhecimento no Brasil. Exige, ainda, reconhecer que as desigualdades de classe, raça e gênero atravessam a produção científica e tecnológica, condicionando quem tem acesso à educação, quem pode produzir conhecimento e quais experiências e saberes são reconhecidos.
O bolsonarismo, representado nessa eleição por Flávio Bolsonaro, se contrapõe diretamente a esses princípios comprometidos com a pluralidade.
O negacionismo científico, os ataques às instituições públicas, a disseminação sistemática de desinformação e a deslegitimação de pesquisadoras e pesquisadores, educadoras e educadores e jornalistas integram uma prática política que compromete as condições de produção e circulação do conhecimento. Seu autoritarismo e sua relação com a violência ameaçam direitos, restringem o debate público e corroem as bases da convivência democrática. A aproximação entre setores da extrema direita e grupos ligados a práticas milicianas também evidencia os riscos de naturalizar a violência e substituir a garantia pública de direitos pela coerção e pelo poder privado.
O autoritarismo também se expressa na produção e no aprofundamento de desigualdades, na desqualificação de políticas de ação afirmativa e na legitimação de discursos racistas, misóginos, LGBTfóbicos e de intolerância contra diferentes grupos sociais. Mulheres, população negra, povos indígenas, população LGBTQIA+ e outros grupos historicamente marginalizados tornam-se alvos de discursos de ódio, da negação de direitos e de políticas que ameaçam suas condições de existência.
A ESOCITE.BR reconhece na candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva como a única alternativa para a defesa da democracia, das instituições públicas, da ciência, da educação e dos direitos sociais diante da ameaça representada pelo projeto bolsonarista.
Por essas razões, a ESOCITE.BR manifesta seu apoio à candidatura de Lula - 13, no segundo turno das eleições presidenciais. Esse posicionamento decorre do reconhecimento de que as condições de produção do conhecimento, a autonomia científica e tecnológica e a construção de futuros menos desiguais são inseparáveis da defesa da democracia, dos direitos humanos e de uma sociedade plural.
Pela democracia, pela soberania nacional, pela ciência pública, pela educação e pela igualdade social.

A ESOCITE.br está atualizando o cadastro de seus associados e associadas a partir dos resultados do relatório “Quem Somos na ESOCITE.BR? Perfil Associativo e Tendências (2018–2023)”. O levantamento reuniu informações sobre o perfil da associação e apontou, entre outros aspectos, a importância de ampliar e qualificar os dados disponíveis sobre a diversidade de sua comunidade.
Como parte desse processo, a associação solicita a colaboração de todas as pessoas associadas para que atualizem seus dados cadastrais, especialmente as informações referentes à identidade étnico-racial e à identidade de gênero.
A atualização permitirá à ESOCITE.br conhecer melhor a composição de sua comunidade e produzir informações mais qualificadas para orientar ações de diversidade, inclusão e representatividade na associação.
Atenção: a atualização deve ser realizada diretamente no cadastro de cada associado/a. Reserve alguns minutos para conferir também as demais informações e mantê-las atualizadas.
Como atualizar seus dados?
O procedimento é simples:
- Acesse o site da ESOCITE.br
- Acesse sua área de associado/a
Clique em “Área do Associado”e faça login. - Entre em seus dados cadastrais
Após acessar sua conta, procure pela opção “Alterar Meus Dados” - Atualize as informações
Confira seus dados e, especialmente, os campos referentes a:
- identidade étnico-racial;
- identidade de gênero;
- demais informações cadastrais que estejam desatualizadas.
- Salve as alterações
Depois de realizar as modificações, clique em “Salvar”e certifique-se de que as alterações foram registradas. - Pronto!
Seu cadastro estará atualizado e suas informações contribuirão para que a ESOCITE.br conheça melhor sua comunidade e possa planejar suas próximas ações.
Sua participação é importante
A atualização cadastral é uma ação coletiva que contribui para fortalecer a ESOCITE.br e tornar a associação cada vez mais representativa da comunidade de Estudos Sociais da Ciência e da Tecnologia no Brasil.
Agradecemos a colaboração de todas as pessoas associadas!
Diretoria da ESOCITE.br
Matéria elaborada por Fernando Monteiro Camargo (bolsista de Jornalismo Científico FAPESP)
A ESOCITE.br – Associação Brasileira de Estudos Sociais das Ciências e das Tecnologias realiza, em outubro, o 1º Fabulário CTS, uma série de três encontros online que propõe colocar em circulação temas, problemas e questões capazes de provocar novas reflexões sobre os Estudos de Ciência, Tecnologia e Sociedade e sobre os caminhos da própria associação.
Mais do que um ciclo de palestras, o Fabulário parte da ideia de que determinados temas podem funcionar como disparadores de questões. As discussões propostas em cada encontro não pretendem oferecer respostas definitivas, mas abrir caminhos para novas perguntas, conexões e possibilidades de investigação. O próprio nome Fabulário expressa essa aposta. Fabular é imaginar, inventar, especular e produzir possibilidades para aquilo que ainda não está dado. É perguntar não apenas sobre o que está acontecendo, mas também que futuros estão sendo produzidos no presente, quais futuros podem ser imaginados e que papel os Estudos CTS podem desempenhar na construção dessas possibilidades. A programação reúne três encontros, com diferentes temas e perspectivas sobre as relações entre ciência, tecnologia, conhecimento e sociedade.
A programação começa no dia 14 de outubro, às 19h, com a conferência “Crise Permanente e a Metapolítica das Plataformas”, apresentada por Letícia Cesarino, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). A atividade terá como debatedor Victor Marques, da Universidade Federal do ABC (UFABC), e será coordenada por Julia S. Guivant, da Universidade Federal de Santa Catarina e membro do Comitê Editorial da Revista Brasileira de Estudos CTS (RBECTS). A discussão propõe pensar as transformações produzidas pelas plataformas digitais e suas relações com a política e a sociedade, abrindo questões sobre as formas contemporâneas de produção, circulação e disputa de sentidos sobre o mundo. A atividade é desenvolvida em parceria com a Revista Brasileira de Estudos CTS e toma como referência o artigo “Crise Permanente e a Metapolítica das Plataformas”, publicado na revista. Acesse o artigo: Revista Brasileira de Estudos CTS
No dia 21 de outubro, o Fabulário recebe Nina da Hora, do Instituto da Hora, para a conferência “Quem decide o que do mundo será representado nos dados? Epistemicídio computacional na Inteligência Artificial”. A partir da inteligência artificial e da produção de dados, o encontro provoca perguntas sobre representação, conhecimento e poder: quem decide o que pode ser transformado em dado? Quais conhecimentos são incorporados aos sistemas computacionais e quais são deixados de fora?
Encerrando a programação, no dia 28 de outubro, Andrea Ballestero, da University of Southern California, apresenta “Distancia, Textura, Tiempo: Decifrando los Acuíferos como Espacio Técnico-Social”. A conferência desloca o olhar para os aquíferos e para as formas técnicas e sociais de conhecê-los, colocando em evidência questões sobre distância, textura, tempo e as infraestruturas por meio das quais as águas subterrâneas se tornam objetos de conhecimento, representação e intervenção.
Embora partam de objetos bastante diferentes — plataformas, inteligência artificial, dados e aquíferos — os três encontros compartilham a possibilidade de provocar perguntas sobre como mundos são produzidos, representados, medidos e transformados por meio de práticas científicas e tecnológicas. É justamente nessa articulação que está uma das propostas do Fabulário: fazer dos temas das conferências pontos de partida para pensar outras questões. O que as plataformas fazem com nossas formas de imaginar o mundo? Quem participa da produção dos dados que passam a representá-lo? O que desaparece quando determinadas formas de conhecimento são traduzidas em sistemas computacionais? Como tecnologias, infraestruturas e modos de conhecer produzem diferentes realidades?
O Fabulário é também um convite para pensar a própria associação: que questões devem mobilizar os Estudos CTS nos próximos anos? Que problemas ainda não estamos conseguindo formular? Que novas formas de pesquisa, diálogo e participação podemos experimentar? E que ESOCITE.br queremos construir?
Ao reunir diferentes temas, perspectivas e modos de produzir conhecimento, o 1º Fabulário CTS pretende criar um espaço para que essas perguntas circulem e possam ser apropriadas coletivamente pela comunidade dos Estudos CTS.
Programação
14 de outubro | 19h
Crise Permanente e a Metapolítica das Plataformas
Conferencista: Letícia Cesarino — Universidade Federal de Santa Catarina
Debatedor: Victor Marques — Universidade Federal do ABC
Coordenação: Julia S. Guivant — Universidade Federal de Santa Catarina / Membro do Comitê Editorial da RBECTS
21 de outubro | 19h
Quem decide o que do mundo será representado nos dados? Epistemicídio computacional na Inteligência Artificial
Nina da Hora — Instituto da Hora
28 de outubro | 19h
Distancia, Textura, Tiempo: Decifrando los Acuíferos como Espacio Técnico-Social
Andrea Ballestero — University of Southern California
Realização: ESOCITE.br
Parceria: Revista Brasileira de Estudos CTS (RBECTS)
Transmissão: YouTube da ESOCITE.br
Inscrições abertas.
https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSeQCIIPDv0cGjio9QJ1EKrwd6AJ_Xlg5rZfSIgJWX7sbGY5g/viewform
Matéria elaborada por Fernando Monteiro Camargo (bolsista de Jornalismo Científico FAPESP)

🔔Prorrogação da data de chamada de artigos para o Boletim CTS em foco, Volume 6, Número 3🔔
Associações e sociedades científicas têm papel importante na constituição de campos de conhecimento, na formação de redes de pesquisadoras e pesquisadores e na criação de espaços de debate, circulação de ideias e defesa da ciência. Seus arquivos, documentos, publicações, eventos e narrativas guardam histórias que permitem acompanhar transformações nas comunidades científicas e nas formas de produzir, comunicar e organizar o conhecimento.
Este dossiê do Boletim CTS em Foco propõe reunir trabalhos que investiguem as memórias e trajetórias dessas organizações, considerando tanto seus processos de institucionalização quanto às relações, práticas e disputas que atravessam suas histórias. Interessa também refletir sobre as formas pelas quais essas memórias são registradas, preservadas, narradas e transmitidas ao longo do tempo. Serão bem-vindos trabalhos sobre arquivos e acervos, histórias orais, trajetórias institucionais, congressos e eventos científicos, publicações e práticas de comunicação, redes e sociabilidades acadêmicas, atuação pública e defesa da ciência, além de experiências e desafios relacionados à preservação da memória científica.
O dossiê busca, assim, pensar a memória como uma entrada para compreender não apenas a história das associações científicas, mas também os modos pelos quais comunidades e campos de conhecimento são construídos e transformados.
O prazo para a submissão de artigos para o Volume 6, Número 2 do Boletim CTS foi estendido!
📆 Nova data: até dia 30 de outubro de 2026.
📧As inscrições devem ser feitas exclusivamente junto à esocite pelo e-mail:
Tema do Dossiê: “Memórias, arquivos e trajetórias de associações científicas”.
Extensão: entre 1.500 e 4.000 palavras
Comitê Editorial do Boletim CTS — ESOCITE.BR
Coordenação:
Fernando Monteiro Camargo - UNICAMP
Polyana Aparecida Valente – UEMG
Para conferir as diretrizes para submissão, clique aqui.
OBS.: Os artigos de fluxo contínuo, sem relação com a temática do dossiê, podem ser enviador a qualquer momento.


🔔Chamada de artigos para o Boletim CTS em foco, Volume 6, Número 3
Está aberto o período de inscrição para a seleção de artigos para o Boletim CTS em foco. O título do Dossiê é “Memórias, arquivos e trajetórias de associações científicas”.
Associações e sociedades científicas têm papel importante na constituição de campos de conhecimento, na formação de redes de pesquisadoras e pesquisadores e na criação de espaços de debate, circulação de ideias e defesa da ciência. Seus arquivos, documentos, publicações, eventos e narrativas guardam histórias que permitem acompanhar transformações nas comunidades científicas e nas formas de produzir, comunicar e organizar o conhecimento.
Este dossiê do Boletim CTS em Foco propõe reunir trabalhos que investiguem as memórias e trajetórias dessas organizações, considerando tanto seus processos de institucionalização quanto às relações, práticas e disputas que atravessam suas histórias. Interessa também refletir sobre as formas pelas quais essas memórias são registradas, preservadas, narradas e transmitidas ao longo do tempo. Serão bem-vindos trabalhos sobre arquivos e acervos, histórias orais, trajetórias institucionais, congressos e eventos científicos, publicações e práticas de comunicação, redes e sociabilidades acadêmicas, atuação pública e defesa da ciência, além de experiências e desafios relacionados à preservação da memória científica.
O dossiê busca, assim, pensar a memória como uma entrada para compreender não apenas a história das associações científicas, mas também os modos pelos quais comunidades e campos de conhecimento são construídos e transformados.
Artigos de fluxo contínuo, sem relação com a temática do dossiê, estão abertos continuamente, sem restrição de prazos.
📆 Período de Submissão: de 20 de agosto de 2026 a 05 de outubro de 2026.
📧As inscrições devem ser feitas exclusivamente junto à esocite pelo e-mail:
Extensão: entre 1.500 e 4.000 palavras
Comitê Editorial do Boletim CTS — ESOCITE.BR
Coordenação:
Fernando Monteiro Camargo - UNICAMP
Polyana Aparecida Valente – UEMG
Para conferir as diretrizes para submissão, clique aqui.

A Revista Brasileira de Estudos CTS publicou seu novo número com oito artigos de pesquisadores de diferentes instituições e estados brasileiros, além de inaugurar uma seção dedicada à publicação de resenhas de livros. A nova publicação amplia o debate e aborda temas que estão no centro das discussões contemporâneas, como inteligência artificial, democracia, sustentabilidade, pandemia, tecnologias sociais e produção científica.
O novo número da Revista chega em um momento de fortalecimento da agenda CTS na América Latina. Em junho, pesquisadores da área se reuniram em Bogotá, na Colômbia, durante as XVI Jornadas ESOCITE.LA, para discutir questões como os impactos da inteligência artificial no mundo do trabalho, nos processos eleitorais e nas práticas médicas, além da expansão de data centers e da plataformização do ensino.
Entre os destaques da publicação atual, está o estudo de Noela Invernizzi (UFPR), Tiago Brandão (UFABC), Carolina Bagattolli (UFPR) e Josemari Poerschke de Quevedo (UFSM), que analisa a 5ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação e as discussões sobre transição sociotécnica para a sustentabilidade.
A inteligência artificial também é tema do artigo de Vânia Ulbricht e Gustavo Simas da Silva (UFSC), que discutem as transformações da fotografia e as controvérsias relacionadas ao uso de prompts na produção contemporânea de imagens. Jaqueline Ferreira (UFRJ) aborda a autonomia médica no debate sobre o uso da hidroxicloroquina durante a pandemia de Covid-19.
A edição inclui ainda discussões sobre teoria crítica da tecnologia e pensamento anarquista, com Gilson Queluz (UTFPR); plataformização, subjetividade e crise da democracia, com Renan de Sousa (Mackenzie) e Monica Carvalho (FSA); tecnologias sociais e autonomia local na produção microbiológica, com Janaína Bernardo (UERGS); além de análises sobre o documentário Transmutação e as relações entre ciência, técnica e saberes, por Fátima Kzam Damaceno de Lacerda e André Fernando Messere de Lacerda (UERJ). Matheus Gutierrez e Ana de Medeiros Arnt (UNICAMP) discutem, por sua vez, a presença da língua inglesa nas práticas científicas de estudantes de pós-graduação.
A nova seção de resenhas é inaugurada com o texto de Luan Homem Belomo (PUC-RS) e Fernanda Vargas (UFRGS) sobre o livro Tecnologia, Ciência e Ambiente: contribuições das Ciências Sociais em tempos de mudanças climáticas.
Além da ampliação temática, a Revista passou por mudanças editoriais. As Diretrizes aos Autores foram revisadas para ampliar a participação de jovens pesquisadores e autores em diferentes etapas da carreira acadêmica. Também foram criadas diretrizes específicas para resenhas, buscando tornar o fluxo editorial mais claro e ágil.
Com a diversidade de temas e instituições representadas, o novo número reafirma a proposta da Revista Brasileira de Estudos CTS de contribuir para uma agenda científica crítica, interdisciplinar e conectada aos principais desafios sociais e tecnológicos contemporâneos.
A nova edição está disponível para acesso online
www.revistabrasileiradeestudoscts.com

🔔Prorrogação da data de chamada de artigos para o Boletim CTS em foco, Volume 6, Número 2🔔
O prazo para a submissão de artigos para o Volume 6, Número 2 do Boletim CTS foi estendido!
📆 Nova data: até dia 03 de agosto de 2026.
📧As inscrições devem ser feitas exclusivamente junto à esocite pelo e-mail:
Tema do Dossiê: “Circulação de conhecimentos no campo CTS brasileiro”.
Extensão: entre 1.500 e 4.000 palavras
Comitê Editorial do Boletim CTS — ESOCITE.BR
Coordenação:
Noela Invernizzi - UFPR
Para conferir as diretrizes para submissão, clique aqui.

A participação da ESOCITE.BR nas Jornadas ESOCITE.LA 2026, realizadas entre os dias 24 e 26 de junho, em Bogotá, Colômbia, foi marcada por importantes reconhecimentos à produção científica latino-americana e pela expressiva presença de pesquisadoras e pesquisadores brasileiros em mesas, apresentações de pesquisas e lançamentos de livros.
Com o tema "Que ciências e tecnologias são possíveis em meio às crises? Outros horizontes do campo CTS diante dos novos extrativismos e das fraturas do Estado", as Jornadas ESOCITE.LA 2026 foram organizadas pela Rede Colombiana de Estudos Sociais das Ciências e das Tecnologias e reuniu pesquisadoras, pesquisadores, estudantes e profissionais de diferentes países da América Latina para refletir sobre os desafios contemporâneos da ciência, da tecnologia e da sociedade diante das crises ambientais, sociais e políticas que atravessam a região.
A ESOCITE.BR participou ativamente desta edição das Jornadas. O presidente da associação, Bráulio Silva Chaves, acompanhou a programação ao lado de diversas conselheiras, conselheiros e associadas e associados da entidade, reforçando a presença brasileira no principal encontro latino-americano do campo CTS. Também participaram das atividades Thales Haddad Novaes de Andrade, um dos editores-chefes da Revista Brasileira de Estudos CTS e membro do Conselho Deliberativo da ESOCITE.BR, além de John Bernhard Kleba, Paulo de Freitas Castro Fonseca e Noela Invernizzi, também integrantes do Conselho Deliberativo da associação.
Para Bráulio Silva Chaves, as Jornadas representam um momento fundamental para fortalecer a cooperação acadêmica na região. Segundo o presidente da ESOCITE.BR, o encontro proporcionou a consolidação de parcerias e o fortalecimento das redes latino-americanas de pesquisa, por meio de uma programação marcada por debates qualificados, mesas, painéis e atividades altamente interativas. Bráulio destacou ainda que temas centrais para os Estudos Sociais da Ciência e da Tecnologia, como as questões ambientais, a saúde e os diferentes territórios de saberes, ocupou lugar de destaque nas discussões. Também ressaltou a expressiva participação da ESOCITE.BR no evento, com a presença da diretoria, de conselheiras, conselheiros e de numerosas pesquisadoras e pesquisadores associados.
A programação científica das Jornadas também evidenciou a diversidade de temas e abordagens desenvolvidas por pesquisadoras e pesquisadores vinculados à ESOCITE.BR. Integrantes da associação participaram de mesas, sessões temáticas e apresentações de pesquisas que dialogam com questões centrais do campo CTS, como formação em engenharia, divulgação científica, mudanças climáticas, políticas públicas, comunicação da ciência e processos de inovação.
A presença institucional da ESOCITE.BR também foi marcada por ações de divulgação da Revista Brasileira de Estudos CTS. Segundo Thales Andrade, além da participação nas apresentações de trabalhos, a associação promoveu a revista junto à comunidade latino-americana por meio da distribuição de materiais informativos nas bolsas dos participantes e da exposição de um banner institucional durante o evento, ampliando sua visibilidade e fortalecendo sua circulação entre pesquisadoras e pesquisadores da região.
Um dos momentos mais marcantes das Jornadas foi a homenagem concedida à pesquisadora Noela Invernizzi, integrante do Conselho Deliberativo da ESOCITE.BR, reconhecida por sua destacada trajetória e por suas contribuições ao desenvolvimento dos Estudos Sociais da Ciência e da Tecnologia (CTS) na América Latina. Visivelmente emocionada ao receber a homenagem, Noela agradeceu o reconhecimento e destacou a importância da construção coletiva do campo CTS na região. Referência internacional na área, ela também participou de diversas atividades do evento, com destaque para o lançamento do livro Latin American Breakthroughs in STS Theory, organizado em parceria com Leandro Rodríguez-Medina e publicado pela Palgrave Macmillan, como parte da coleção Transnationalizing Theory in Science and Technology Studies. A obra reúne contribuições de pesquisadoras e pesquisadores latino-americanos e amplia a circulação internacional das formulações teóricas produzidas na região, reafirmando a originalidade e a relevância do pensamento latino-americano em CTS.
A produção científica brasileira também recebeu importante reconhecimento durante as Jornadas. O artigo Transversalidades e afinidades eletivas na formação de elite científica no campo das mudanças climáticas, de autoria de Thales Andrade e Paulo Escada, recebeu o Prêmio Amílcar Herrera 2026. Publicado na revista Sociedade e Estado, o trabalho foi reconhecido por sua contribuição ao campo dos Estudos Sociais da Ciência e da Tecnologia, evidenciando a qualidade e a projeção internacional da pesquisa produzida por pesquisadores brasileiros.
As premiações concedidas durante as Jornadas também reconheceram outras importantes contribuições do campo CTS. Entre as vencedoras está a pesquisadora Glaucia Maricato, da Universidade de Brasília (UnB), que recebeu o Prêmio Amílcar Herrera, na categoria Livro, pela obra História sem fim: Medidas, tecnologias e conhecimentos de um mundo sem hanseníase. O reconhecimento reforça a relevância da produção brasileira no cenário latino-americano dos Estudos Sociais da Ciência e da Tecnologia.
Entre os outros destaques da programação está a sessão "Outras possíveis engenharias para outros mundos possíveis a partir das perspectivas das periferias", coordenada por John Bernhard Kleba (ITA) e Sandra Merchán Rubiano (Universidad de La Salle). Além de coordenar a sessão, Kleba apresentou, em coautoria com Fábio L. T. Crocco, Nilda N. Oliveira, integrante da Diretoria da ESOCITE.BR, e Zuleika S. S. Roque, o trabalho "A Trilha LabCTS/ITA como campo de tensão CTS na formação em engenharia", que propõe reflexões sobre a formação em engenharia a partir de perspectivas críticas dos Estudos CTS.
A programação também incluiu a apresentação do "Podcast Mundaréu en Chile", de autoria de Daniela Manica, integrante da Diretoria da ESOCITE.BR, e María Sol Anigstein, compartilhando a série que acompanha antropólogas e cientistas sociais feministas que pesquisam e atuam em diferentes territórios do Chile, mostrando como o feminismo transforma tanto a universidade quanto as formas de produzir conhecimento.
Mais do que um espaço de apresentação de pesquisas, as Jornadas ESOCITE.LA constituem um importante ambiente de encontro, intercâmbio e construção coletiva. Em um contexto marcado pela intensificação das mudanças climáticas, pelos novos extrativismos e pelas transformações nas relações entre ciência, tecnologia e sociedade, o evento reafirma a importância do fortalecimento das redes latino-americanas de pesquisa e da construção de agendas comuns capazes de responder aos desafios compartilhados pela região.
A ESOCITE.BR parabeniza a Rede Colombiana de Estudos Sociais das Ciências e das Tecnologias pela organização das Jornadas ESOCITE.LA 2026 e agradece o acolhimento oferecido às pesquisadoras e aos pesquisadores participantes. A qualidade da programação, a riqueza dos debates, a receptividade da equipe organizadora e o ambiente de diálogo, colaboração e troca de experiências reafirmam a relevância do encontro para o fortalecimento da comunidade latino-americana de Estudos Sociais da Ciência e da Tecnologia.
A participação da ESOCITE.BR em Bogotá, somada às premiações recebidas por seus associados e à ampla presença de seus membros na programação científica, reafirma a contribuição da associação para a consolidação do campo CTS na América Latina. Em um momento em que os desafios da região exigem respostas cada vez mais colaborativas, encontros como as Jornadas ESOCITE.LA fortalecem redes de pesquisa, ampliam parcerias e renovam o compromisso coletivo com uma ciência e uma tecnologia socialmente comprometidas, democráticas e atentas à diversidade de saberes e territórios.

Matéria elaborada por Fernando Monteiro Camargo (bolsista de Jornalismo Científico FAPESP)
*Neste texto, foram utilizadas ferramentas de inteligência artificial generativa (ChatGPT 5.5/OpenAI). As contribuições da IA estão concentradas principalmente na revisão da coerência argumentativa do texto.

🔔Chamada de artigos para o Boletim CTS em foco, Volume 6, Número 2
Está aberto o período de inscrição para a seleção de artigos para o Boletim CTS em foco. O título do Dossiê é “Circulação de conhecimentos no campo CTS brasileiro”.
O Boletim CTS convida pesquisadoras/es e pós-graduandas/os a submeterem artigos para sua próxima edição, dedicada a examinar a circulação de autoras/es, temáticas e teorias nos estudos CTS brasileiros.
Desde o início do século, as formas de produção de conhecimento nos espaços científicos (semi)periféricos têm sido fortemente influenciadas pelas políticas de avaliação e de internacionalização científica. A literatura reporta efeitos como uma maior assimilação à ciência de corrente principal desenvolvida nos centros científicos, tanto nos referenciais teóricos e metodológicos utilizados, como nas temáticas investigadas. Registra também, uma integração subordinada em redes de pesquisa internacionais, e uma fragilização das (semi)periferias como espaços de produção de teoria. Essas tendências, entretanto, não ocorrem sem tensões, surgidas das demandas locais de conhecimentos, ou da limitação ou inadequação de teorias centrais para explicar fenômenos em outros contextos.
Convidamos submissões que explorem, entre outros aspectos: Como circulam autoras/es, enfoques e conceitos centrais nos estudos CTS brasileiros? Que adaptações, hibridações ou refutações experimentam? Como circulam temáticas de investigação desde os centros para os estudos CTS brasileiros? Que autoras/es, enfoques, temáticas conseguem fazer o caminho desde os estudos CTS brasileiros para as discussões em espaços centrais do campo (publicações, congressos, projetos de pesquisa, etc.)? Que tensões emergem da circulação de conhecimentos e agendas? Os artigos podem abordar estas temáticas a partir de diversos meios de institucionalização do campo CTS, como publicações em periódicos, livros de referência, currículos e programas de disciplinas, congressos, etc.
📆 Período de Inscrição: de 02 de março de 2026 a 06 de julho de 2026.
📧As inscrições devem ser feitas exclusivamente junto à esocite pelo e-mail:
Extensão: entre 1.500 e 4.000 palavras
Comitê Editorial do Boletim CTS — ESOCITE.BR
Coordenação:
Noela Invernizzi - UFPR
Para conferir as diretrizes para submissão, clique aqui.

A pesquisa de conclusão de curso de Lucas Moreira, vencedor do Prêmio ESOCITE.br 2026 Menção Honrosa de TCC de Graduação, investiga como comunidades tradicionais do Oeste da Bahia constroem narrativas próprias sobre a crise hídrica e mobilizam diferentes formas de conhecimento para contestar versões hegemônicas sobre os conflitos ambientais na região. Desenvolvido no Departamento de Sociologia da Universidade de Brasília (UnB), sob orientação do sociólogo Tiago Ribeiro Duarte, o trabalho articula conflitos socioambientais, epistemologias e Estudos Sociais da Ciência e Tecnologia (CTS) para compreender como diferentes atores disputam a legitimidade sobre o que conta como conhecimento válido diante da emergência hídrica no Cerrado.
Intitulada “Contra-narrativas de comunidades tradicionais sobre a crise hídrica no Oeste da Bahia: mobilização de contra-expertises na argumentação do problema ambiental”, a pesquisa parte da constatação de que os conflitos por água têm se intensificado mesmo em regiões historicamente reconhecidas pela abundância hídrica. O Oeste baiano, marcado pela expansão do agronegócio e pela crescente pressão sobre rios, aquíferos e nascentes do Cerrado, tornou-se um território central dessas disputas. Nesse contexto, Lucas buscou compreender como algumas comunidades tradicionais elaboram explicações próprias sobre a crise da água e articulam estratégias para tornar suas narrativas visíveis em arenas públicas e políticas.
A pesquisa foi fortemente influenciada pelas investigações desenvolvidas no âmbito do projeto Soylândia, coordenado por Tiago Duarte que estuda os impactos da expansão agrícola no Oeste da Bahia. Segundo Lucas, o interesse pela pesquisa surgiu tanto da preocupação com os conflitos socioambientais quanto das disputas epistêmicas presentes nesses contextos. Em vez de compreender o conflito apenas como disputa material por recursos naturais, o trabalho destaca seu caráter profundamente epistêmico, ou seja, trata-se também de uma disputa sobre quem pode produzir conhecimento legítimo sobre o ambiente, os rios e os impactos ambientais.
Um dos principais argumentos do trabalho é que comunidades tradicionais não atuam apenas como “afetadas” pelos problemas ambientais, mas como produtoras ativas de conhecimento. Ao longo da pesquisa, Lucas evidencia como esses grupos mobilizam múltiplas expertises — científicas, técnicas, territoriais e experienciais — para interpretar a crise hídrica, legitimar suas denúncias e contestar a atuação de grandes grupos econômicos. Em vez de tratar conhecimentos tradicionais e científicos como universos separados ou opostos, o autor demonstra como eles frequentemente se atravessam, se conectam e se influenciam mutuamente.
A pesquisa também dialoga diretamente com debates centrais dos Estudos Sociais da Ciência e Tecnologia ao problematizar a ideia de neutralidade científica. Lucas argumenta que ciência e tecnologia são práticas situadas, produzidas por sujeitos concretos e atravessadas por relações de poder. Nesse sentido, o trabalho chama atenção para as desigualdades epistêmicas que fazem com que narrativas de grupos tradicionais sejam sistematicamente desconsideradas nos espaços de tomada de decisão, apesar de sua profunda capacidade de interpretar transformações ambientais em seus territórios.
Ao receber o Prêmio ESOCITE.br, Lucas destacou a importância do reconhecimento institucional para jovens pesquisadores e enfatizou o papel fundamental da orientação acadêmica e das redes coletivas de pesquisa em sua trajetória. O autor também ressaltou a relevância da manutenção da categoria de Trabalhos de Conclusão de Curso no prêmio, entendendo-a como uma forma de incentivar novas gerações de pesquisadores no campo CTS. Além disso, pediu destaque à importância do grupo de pesquisa Ciência, Tecnologias e Públicos (CTP/UnB), do qual participa e que considera essencial para sua formação acadêmica.
Mais do que uma investigação sobre a crise hídrica no Oeste baiano, o trabalho de Lucas contribui para ampliar a compreensão sobre como conhecimentos são produzidos, disputados e legitimados em contextos de conflito socioambiental. Sua pesquisa evidencia que comunidades tradicionais não apenas convivem com os impactos ambientais, mas também produzem interpretações sofisticadas sobre eles, elaborando contra-narrativas fundamentais para pensar ciência, tecnologia e democracia em tempos de crise ecológica.
Pesquisa orientada pelo Prof. Tiago Ribeiro Duarte.
Confiram os trabalhos já premiados pela ESOCITE.BR aqui.

Sobre o pesquisador
Lucas Moreira - Graduando em Ciências Sociais pela Universidade de Brasília (UnB), com pesquisa vinculada ao Departamento de Sociologia (SOL/ICS). Integra o grupo de pesquisa Ciência, Tecnologias e Públicos (CTP/UnB), desenvolvendo investigações sobre conflitos socioambientais, disputas epistêmicas, crise hídrica e mobilização de contra-expertises por comunidades tradicionais no Oeste da Bahia. Seus interesses concentram-se nos Estudos Sociais da Ciência e Tecnologia, epistemologias, justiça ambiental e conflitos por água.
Matéria elaborada por Fernando Monteiro Camargo (bolsista de Jornalismo Científico FAPESP)
A tese de doutorado de Thais Moreira Valim, que recebeu Menção Honrosa no Prêmio ESOCITE.BR em 2026, mergulha nos bastidores científicos da epidemia de Zika para compreender como a Síndrome Congênita do Vírus Zika (SCVZ) foi produzida como uma nova entidade médica e científica no Brasil. Realizada no Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Universidade de Brasília, sob orientação da antropóloga Soraya Fleischer, a pesquisa articula antropologia, saúde coletiva e Estudos Sociais da Ciência e Tecnologia (CTS) para investigar as práticas, relações e infraestruturas mobilizadas durante a emergência sanitária em Recife-PE.
Intitulada “Fazendo ciência, fazendo a Síndrome Congênita do Vírus Zika: práticas, relações e infraestruturas científicas na resposta à epidemia de Zika em Recife/PE”, a tese acompanha não apenas os efeitos sociais da epidemia, mas o próprio processo de produção da ciência em contextos de crise. A autora parte de uma questão central: como se faz ciência em uma emergência sanitária? Em vez de olhar apenas para os resultados científicos já estabilizados, a pesquisa acompanhou as redes de colaboração, os conflitos, os protocolos, os laboratórios, os hospitais, as assistentes de campo, as mães e as crianças que participaram da construção da SCVZ como fato científico e diagnóstico médico.
Baseada em uma extensa pesquisa etnográfica realizada entre 2018 e 2024, a tese mobilizou 93 entrevistas com 78 cientistas e profissionais de diferentes áreas, incluindo epidemiologia, obstetrícia, fisioterapia, antropologia, infectologia, neurologia, serviço social e vigilância epidemiológica. A investigação também envolveu observação participante, análise de artigos científicos, protocolos e documentos institucionais, permitindo acompanhar tanto a “ciência visível” quanto os trabalhos invisibilizados que sustentaram a resposta ao Zika.
Um dos principais aportes conceituais do trabalho é a noção de “infraestruturas de coprodução”. Para Thais Valim, as infraestruturas científicas não são apenas equipamentos laboratoriais, bancos de dados ou tecnologias biomédicas. Elas incluem também relações éticas, redes colaborativas, formas de cuidado, práticas institucionais e articulações políticas que tornaram possível a produção de evidências sobre o Zika. A autora demonstra que a ciência não emerge de forma isolada em laboratórios, mas depende de uma complexa teia de pessoas, instituições e afetos. Ao longo dos cinco capítulos da tese, Valim acompanha diferentes dimensões dessa rede infraestrutural. O primeiro capítulo reconstrói o processo pelo qual o Zika deixou de ser tratado como uma arbovirose secundária para se tornar uma emergência sanitária internacional. A autora mostra como especialistas, hospitais e redes epidemiológicas foram mobilizados para transformar a hipótese de relação entre Zika e microcefalia em um fato científico reconhecido nacional e internacionalmente.
Nos capítulos seguintes, a pesquisa evidencia como diferentes grupos científicos caracterizaram a SCVZ a partir de repertórios metodológicos distintos. Obstetras, fisioterapeutas, epidemiologistas e antropólogos produziram diferentes formas de conhecer a síndrome, revelando que a ciência é atravessada por disputas de linguagem, prioridades analíticas e formas de evidência. A autora também analisa as tensões presentes nas colaborações científicas internacionais e nos grandes consórcios de pesquisa que surgiram durante a epidemia, especialmente nas relações entre instituições do Norte e do Sul global.
Outro aspecto central da tese é a valorização de atores frequentemente invisibilizados na produção científica. As assistentes de campo, as mães e as próprias crianças com SCVZ aparecem como agentes epistêmicos fundamentais para a construção do conhecimento sobre a epidemia. Ao acompanhar o cotidiano das pesquisas em Recife, Valim mostra que essas pessoas não apenas participaram dos estudos, mas também ensinaram cientistas, tensionaram métodos, questionaram protocolos e produziram reflexões éticas sobre o fazer científico.
A pesquisa dialoga diretamente com debates contemporâneos dos Estudos Sociais da Ciência e Tecnologia ao problematizar a ideia de neutralidade científica. Thais Valim demonstra que epidemias não são apenas eventos biológicos, mas fenômenos profundamente sociais e políticos, atravessados por desigualdades, disputas institucionais e relações de poder. A tese também evidencia como a chamada “cientificação” da saúde global ampliou a centralidade das evidências biomédicas em contextos de emergência sanitária.
Ao receber a Menção Honrosa do Prêmio ESOCITE.br, a autora destacou justamente o caráter coletivo da produção científica. Em sua reflexão, o reconhecimento individual não apaga a dimensão compartilhada da pesquisa, construída junto a orientadoras, colegas, profissionais de saúde, famílias e crianças afetadas pela epidemia. O prêmio também adquire um forte simbolismo por ocorrer dez anos após o início da crise sanitária, lembrando que os efeitos sociais, científicos e políticos do Zika permanecem presentes e ainda demandam atenção pública e acadêmica.
Mais do que uma investigação sobre a epidemia de Zika, a tese de Thais Moreira Valim constitui uma importante contribuição para o campo CTS brasileiro ao ampliar nossa compreensão sobre como a ciência é produzida em situações de urgência. Seu trabalho revela que fazer ciência é também fazer relações, construir infraestruturas e negociar continuamente entre cuidado, ética, evidência e política.
Tese orientada pela Profa. Soraya Fleischer.
Confiram os trabalhos já premiados pela ESOCITE.BR aqui.

Sobre a pesquisadora
Thais Maria Moreira Valim
Pesquisadora nas áreas de Antropologia da Saúde, Antropologia da Ciência e Antropologia da Criança. Antropóloga, graduada em Ciências Sociais pela Universidade de Brasília, mestre em Antropologia Social pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte e doutora em Antropologia Social pela Universidade de Brasília. Integra o Coletivo de Antropologia e Saúde Coletiva (CASCA/UnB) e a Rede Latino-americana de Antropologia Feminista das Ciências e Tecnologias (RAFeCT). Desde 2016, pesquisa os desdobramentos da epidemia de Zika em Recife, acompanhando tanto a experiência das crianças com a síndrome congênita e suas famílias quanto as práticas científicas mobilizadas em torno da crise. Seus interesses de pesquisa concentram-se na interface entre ciência e infância no campo da saúde global.
Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/2004032634064288
Tese: https://repositorio.unb.br/handle/10482/53721
Matéria elaborada por Fernando Monteiro Camargo (bolsista de Jornalismo Científico FAPESP)
🔔Prorrogação da data de chamada de artigos para o Boletim CTS em foco, Volume 6, Número 1🔔
O prazo para a submissão de artigos para o Volume 6, Número 1 do Boletim CTS foi estendido!
📆 Nova data: até dia 30 de abril de 2026.
📧As inscrições devem ser feitas exclusivamente junto à esocite pelo e-mail:
Extensão: entre 1.500 e 4.000 palavras
Comitê Editorial do Boletim CTS — ESOCITE.BR
Coordenação:
Fabrício Neves - UnB
Para conferir as diretrizes para submissão, clique aqui.


A diretoria da ESOCITE.BR, reunida virtualmente no dia 6 de abril de 2026, analisou e aprovou, por unanimidade, a candidatura única submetida pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) para organizar e sediar o XII Simpósio Nacional de Ciência, Tecnologia e Sociedade. Assim, vimos por meio deste comunicado informar todos os nossos associados e associadas que o XII Simpósio Nacional de Ciência, Tecnologia e Sociedade será organizado pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e acontecerá no segundo semestre de 2027, em Salvador (Bahia).
Belo Horizonte, 7 de abril de 2026
Diretoria ESOCITE.Br

A ESOCITE.BR declara apoio à nota do Conselho Nacional das Instituições da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica (Conif), adicionando seu repúdio à fala desqualificadora e mentirosa, proferida contra a Rede Federal pelo economista Marcos Mendes em telejornal do veículo GloboNews, no último dia 11/03.
A ESOCITE.BR reconhece o papel estratégico para o país e a função social de Institutos Federais, Cefets e do Colégio Pedro II, pautadas em atividades de ensino, pesquisa e extensão, da educação básica à pós-graduação, conforme demonstram estudos diversos (ignorados pelo economista), e alinha-se às lutas que visam fortalecer a Rede Federal a partir de seu pleno financiamento e da valorização de seus trabalhadores.
No dia 12 de maio de 2026, a Conif divulgou em seu portal a seguinte nota em seu portal:
“Em um ano eleitoral ainda marcado pela polarização política, o Conselho Nacional das Instituições da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica (Conif), que reúne os dirigentes dos Institutos Federais, dos Centros Federais de Educação Tecnológica (Cefets) e do Colégio Pedro II, manifesta preocupação com as declarações do economista Marcos Mendes feitas no telejornal Edição das 18h, desta quarta-feira (11/3), marcadas por desinformação sobre o papel e o funcionamento dos Institutos Federais.
Os Institutos Federais constituem uma política pública bem-sucedida de educação profissional, científica e tecnológica, com impacto comprovado na trajetória acadêmica dos estudantes, na inserção no mundo do trabalho e no desenvolvimento regional. As instituições passam por um processo contínuo de expansão, e é importante destacar que a criação de novos cargos tem como objetivo fortalecer e ampliar a oferta de educação profissional e tecnológica em todo o país. As afirmações recentes não correspondem à realidade da Rede Federal.
Diante disso, é importante esclarecer:
1 - Ao afirmar que os IFs seriam “mini universidades”, o economista ignora o modelo educacional próprio dessas instituições. Criados pela Lei nº 11.892/2008, os Institutos Federais têm a missão de integrar educação básica, técnica e superior em uma mesma instituição, sempre articuladas às demandas do mundo do trabalho e ao desenvolvimento regional.
A legislação determina que no mínimo 50% das vagas sejam destinadas à educação profissional técnica de nível médio, com prioridade para cursos integrados ao Ensino Médio. Outros 20% devem ser voltados à formação de professores da educação básica, especialmente em áreas estratégicas como matemática, física, química e biologia.
Os cursos de graduação, em geral tecnológicos, algumas engenharias e bacharelados específicos, ocupam cerca de 30% da oferta, juntamente com a pós-graduação, concentrando-se em áreas de ciência, tecnologia e inovação ligadas às vocações econômicas e sociais de cada região.
2 - Indicadores educacionais mostram que estudantes da Rede Federal apresentam desempenho acima da média nacional em avaliações como o Exame Nacional do Ensino Médio e o Programme for International Student Assessment (PISA).
Os resultados evidenciam a qualidade do modelo educacional adotado. Se considerada isoladamente, a Rede Federal teria desempenho comparável ao de sistemas educacionais de países que ocupam as primeiras posições em rankings internacionais de educação.
3 - A criação dos Institutos Federais consolidou uma rede pública de educação profissional que hoje alcança todas as regiões do país, com forte presença no interior. Atualmente, a Rede Federal reúne cerca de 1,8 milhão de matrículas.
Desse total, 85% dos estudantes têm renda familiar de até dois salários mínimos, o que evidencia o papel das instituições na ampliação do acesso à educação pública de qualidade. Mulheres e pessoas negras representam mais da metade do público atendido, reforçando o compromisso com a inclusão e a redução das desigualdades sociais.
4 - Cabe ressaltar, à luz das informações apresentadas, que os Institutos Federais também se destacam pela pesquisa aplicada e pela extensão, sempre orientadas às demandas regionais e aos desafios do setor produtivo.
Professores, Técnicos Administrativos em Educação e estudantes desenvolvem projetos sociais, educacionais e culturais que beneficiam diretamente as comunidades onde as instituições estão inseridas, além de oferecerem serviços técnicos especializados, análises laboratoriais, consultorias e capacitações para empresas, organizações sociais e gestores públicos.
Essa integração entre ensino, pesquisa e extensão fortalece o papel dos Institutos Federais como indutores do desenvolvimento regional e da inclusão social.
5 - Por fim, os processos eleitorais nas instituições da Rede Federal são reconhecidos pela transparência e pela segurança jurídica. Os dirigentes são escolhidos por voto direto e paritário, com participação de estudantes, professores e técnicos administrativos.
Esse modelo democrático assegura legitimidade às escolhas institucionais e reduz interferências políticas na gestão, respeitando a autonomia prevista em lei para as instituições federais de ensino.
Diante do exposto, o Conif ressalta a importância de que o debate público sobre educação seja pautado por informações corretas e dados verificáveis. Declarações imprecisas não contribuem para a construção de soluções para o país.
Os Institutos Federais são instituições públicas comprometidas com a oferta de educação gratuita, inclusiva e socialmente referenciada, que transforma vidas e fortalece o desenvolvimento econômico e social do Brasil.”
Brasília, 12 de março de 2026
Pleno do Conselho Nacional das Instituições da
Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica (Conif)
Para acessar a nota oficial clique aqui.

A ESOCITE.BR abre a chamada pública para fomentar candidaturas de instituições para organizar e sediar o XII Simpósio Nacional de Ciência, Tecnologia e Sociedade. Para a candidaturas os seguintes pré-requisitos devem ser preenchidos
- Pelo menos um dos membros (proponentes) da comissão organizadora deverá ser sócio/sócia, na modalidade “Professoras, professores, pesquisadores, pesquisadoras”, com anuidade em dia, da Associação Brasileira de Estudos Sociais das Ciências e das Tecnologias (ESOCITE.BR);
- A comissão organizadora deverá ser indicada com pelo menos 3 (três) membros;
- A proposta deverá ser enviada para o e-mail
Este endereço para e-mail está protegido contra spambots. Você precisa habilitar o JavaScript para visualizá-lo. e ser composta por: uma carta da administração superior da instituição dos proponentes, comprometendo-se a sediar e apoiar o evento; um vídeo amador sumário de 3 a 5 minutos, feito através de câmera ou celular apresentando a proposta, a comissão organizadora e a infraestrutura da instituição.
Obs: O Simpósio deverá ocorrer preferencialmente no mês de outubro de 2027, nos dias que forem mais adequados à instituição organizadora
Prazo: 01 de março a 31 de março de 2026
Resultado: 06 de abril de 2026
Para conferir o resultado acesse o site da Associação.
Demais informações, entrar em contato pelo email
Para a leitura do documento oficial, clique aqui.


🔔Chamada de artigos para o Boletim CTS em foco, Volume 6, Número 1
Está aberto o período de inscrição para a seleção de artigos para o Boletim CTS em foco. O título do Dossiê é “A avaliação da CAPES segundo os estudos CTS”.
O Boletim CTS da Associação Brasileira de Estudos Sociais das Ciências e das Tecnologias (ESOCITE.Br) convida pesquisadoras e pesquisadores a contribuírem com sua próxima edição, dedicada a um tema que toca diretamente a vida acadêmica de todos nós: “os sistemas de avaliação da pós-graduação brasileira sob o olhar dos Estudos Ciência, Tecnologia e Sociedade”.
A CAPES ocupa um lugar singular no campo científico nacional. Seus critérios de avaliação, suas métricas de produtividade, suas classificações de periódicos e seus sistemas de pontuação não são instrumentos neutros de mensuração — são dispositivos sociotécnicos que moldam carreiras, definem o que conta como conhecimento legítimo, organizam hierarquias entre programas e áreas, e produzem subjetividades acadêmicas específicas. Apesar disso, raramente são tratados como objetos de investigação pelas mesmas comunidades que deles dependem.
Esta edição do Boletim propõe exatamente essa inversão do olhar: tomar os procedimentos e artefatos da avaliação da CAPES como fenômenos merecedores de escrutínio sociológico, histórico e filosófico. Quais pressupostos sobre ciência, qualidade e relevância sustentam o modelo vigente? Como os critérios de avaliação interagem com as assimetrias centro-periferia na produção do conhecimento? De que modo programas situados em regiões menos favorecidas, ou dedicados a temáticas que escapam aos cânones hegemônicos, são afetados pelas lógicas classificatórias da agência? Que alternativas têm sido propostas, experimentadas ou imaginadas?
São bem-vindas contribuições que abordem, entre outros aspectos:
- análises críticas dos critérios Qualis e suas transformações históricas;
- impactos da avaliação sobre áreas interdisciplinares e programas “periféricos”;
- perspectivas comparadas com sistemas de avaliação de outros países;
- relações entre métricas de internacionalização e a produção científica do Sul Global;
- experiências de resistência, adaptação ou proposição de modelos alternativos;
- reflexões sobre a avaliação da própria área de Ciência, Tecnologia e Sociedade no sistema CAPES.
O Boletim CTS é um espaço de divulgação acessível, voltado tanto à comunidade acadêmica quanto a públicos mais amplos interessados nas relações entre ciência, política e sociedade. Por isso, convidamos não apenas artigos analíticos, mas também ensaios, relatos de experiência, entrevistas e notas de pesquisa em andamento.
📆 Período de Inscrição: de 02 de março de 2026 a 17 de abril de 2026.
📧As inscrições devem ser feitas exclusivamente junto à esocite pelo e-mail:
Extensão: entre 1.500 e 4.000 palavras
Comitê Editorial do Boletim CTS — ESOCITE.BR
Coordenação:
Fabrício Neves - UnB
Para conferir as diretrizes para submissão, clique aqui.

Está lançado o terceiro número do quinto volume do CTS em foco, o boletim da ESOCITE.BR. O número teve como tema “Educação e Tecnologia em tempos de mudanças radicais e estruturais”. Agradecemos aos autores e às autoras pelo envio dos textos e convidamos todos e todas à leitura e à contribuição em edições futuras.
Para acessar o documento, clique aqui.

🔔Chamada de artigos para o Boletim CTS em foco, Volume 5, Número 4
Está aberto o período de inscrição para a seleção de artigos para o Boletim CTS em foco. O título do Dossiê é “Cosmopolítica”.
A proposta deste dossiê ativa a carga cosmopolítica dos estudos CTS. Ao longo de sua breve história, com inúmeras derivações, estes parecem passar, inexoravelmente, por um enunciado comum: fazer ciência é fazer política. Este enunciado não se propôs reduzir um dos termos ao outro; propôs fazer a ciência entrar em política, isto é, suspeitar da e desmontar a agenda a qual “estar provado cientificamente” encerraria as negociações que conformam o mundo real. O que aconteceria aos CTS se o quê estivesse sob “suspeita” ou “desmonte” fosse, agora, a política? Desconfiar do “arranjo possível” estaria no centro do debate. Eis radicalidade da carga cosmopolítica. Neste sentido, este dossiê abrigará estudos teóricos e empíricos que coloquem como eixo contextos de conflito radical (ambiental, étnico, racial), dispositivos técnicos e/ou tecnológicos de redefinição da vida, a experiência em eventos extremos, processos de desentendimento contínuos.
Na América Latina e no Brasil um uso apressado do termo o ergue a sinônimo de cosmologia ou ontologia. Disto decorre que as possibilidades de conhecimento são a existência ela própria antes de serem operações práticas, simples gestos de diferenciação. Se a política torna a ciência um vetor que indica a singularidade de suas operações práticas, como aquilo que a excede caberia num acordo possível?
📆 Período de Inscrição: até dia 15 de dezembro de 2025.
📧As inscrições devem ser feitas exclusivamente junto à esocite pelo e-mail:
Coordenação:
Felipe Vargas - UFBA
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🔔Prorrogação da data de chamada de artigos para o Boletim CTS em foco, Volume 5, Número 2
O prazo para a submissão de artigos para o Volume 5, Número 2 do Boletim CTS foi estendido!
📆 Nova data: até dia 20 deoutubro de 2025.
📧As inscrições devem ser feitas exclusivamente junto à esocite pelo e-mail:
Coordenação:
Gabriel Bandeira Coelho (UFRGS) e Everton Garcia da Costa (UFRGS)
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