NOTÍCIAS - COLUNAS

Chamada de Textos - Boletim CTS em foco - Vol.3 Nº3

Gênero, ciências e tecnologias

Fernanda Di Flora - UTFPR

Eleandra Koch - INCRA

Aline Radaelli - UFRGS

 

Em 2015, a Unesco estabeleceu a data de 11 de fevereiro como o Dia Internacional de Mulheres e Meninas na Ciência, cujo objetivo era mobilizar o debate público sobre a presença feminina na ciência, de modo a estabelecer ações de promoção da inclusão das mulheres nas áreas científicas. Essa ação decorre da percepção de que, apesar do avanço da presença das mulheres na universidade e na pesquisa, elas continuam sendo minoria em certas esferas da ciência, tendendo a se concentrar nas ciências sociais, educação e saúde. 

Nas áreas tecnológicas, engenharias, matemática e computação (ou as STEM), as mulheres constituem apenas cerca de 25% do total. Segundo diversas pesquisas recentes, apesar de produzirem metade da ciência feita no Brasil, as mulheres ainda são minoria em cargos de liderança em laboratórios, institutos de pesquisa e reitorias de universidades. Se olharmos para as interseccionalidades de raça, etnia e classe, a representatividade se reduz ainda mais. A situação foi ainda agravada no período da pandemia do Covid-19, que evidenciou tais disparidades de gênero combinadas à sobrerrepresentação feminina em atividades do cuidado.

Avançamos, inegável e imprescindivelmente. Em termos de acesso e permanência no ensino superior, o cenário nacional se apresenta como progressivamente mais inclusivo: mais da metade dos estudantes do ensino superior em 2020 eram do gênero feminino (57%). O quantitativo de mulheres pesquisadoras com perfis cadastrados na plataforma Lattes do CNPq saltou de 39% em 1995 para 50% em 2016. Os dados são do movimento Parent in Science (https://www.parentinscience.com/documentos).


Entretanto, ainda há muito o que percorrer em termos de representatividade e equidade de gênero na ciência e no fazer científico. As críticas do feminismo à ciência moderna debatem que esta se desenvolveu a partir de uma estruturação conceitual de mundo que incorporou em seu âmago ideologias de gênero historicamente específicas e que ainda são evidentes nas práticas científicas (Keller, 1996), ao passo que incorpora, segrega, afasta, desincorpora perspectivas outras que permitem oferecer, segundo Haraway (1995), “conhecimento potente para a construção de mundos menos organizados por eixos de dominação”.  


As teorias feministas concebem a objetividade da produção do conhecimento a partir de práticas situadas e posicionadas, na contramão de abordagens da “economia das Ciências” (Stengers, 2015) que prometem transcendência e neutralidade. Ao contrário, primam por situar significados legítimos e objetividades possíveis, considerando as construções dos corpos nos processos do conhecimento. A corporificação, é sempre específica, partida e parcial e, portanto, as teorias feministas, ao se contraporem a masculinidades abstratas e naturalmente universalizáveis, disputam a necessidade de uma teoria crítica em que a construção dos corpos seja considerada no processo de produção do conhecimento científico (Haraway, 1995).


Nesse contexto, é oportuno refletir não somente sobre as barreiras formais e informais que as mulheres continuam tendo que superar para ingressarem, permanecerem, serem reconhecidas e avançarem no campo da ciência e da tecnologia, mas também acerca das próprias condições de possibilidade para que a objetividade nas Ciências seja compreendida desde racionalidades posicionadas e corporificadas. 

O dossiê se propõe a receber artigos que discutam tais dinâmicas, como os efeitos da maternidade nas carreiras científicas; a questão do assédio sexual e moral nas instituições e práticas acadêmicas; o extrativismo intelectual, entre outros temas que promovam e ampliem o debate no campo dos estudos feministas de ciência e tecnologia.

 
Chamada do Volume 03, número 03, será o até o dia 03 de novembro para o e-mail:  boletimesocite.br@gmail.com
 
 
 

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