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Prêmio ESOCITE.BR 2025

Nesta quarta edição do Prêmio ESOCITE.BR de Teses e Dissertações e primeiro Prêmio melhor TCC na área de Estudos Sociais das Ciências e das Tecnologias, defendidos no Brasil no último biênio destacamos a interdisciplinaridade e as ricas contribuições do painel de trabalhos submetidos a avaliação.
Recebemos 4 TCCs, 14 dissertações e 16 teses. Dos 34 trabalhos recebidos, 17 foram escritos por homens e 17 foram escritos por mulheres. Participaram do concurso 14 Instituições de Ensino Superior (CEFET-MG; UEC; UERJ, UFAM, UFRGS, UFRJ, UFSCAR, UFV, UnB, UNICAMP, UNILAB, USP, UTFPR) e de 19 programas de pós-graduação. A maioria absoluta dessas IES está localizada no sudeste (CEFET-MG, UERJ, UFRJ, UFSCAR,UFV, UNICAMP E USP), seguida pelas universidades da região sul (UFRGS E UTFPR), nordeste (UNILAB e UEC), norte (UFAM) e centro-oeste (UnB).
Para avaliar esse rico conjunto de trabalhos contamos com a participação de 29 especialistas. Agradecemos a cada uma das pessoas que leram cuidadosamente os trabalhos e redigiram pareceres detalhados que nos permitiram mergulhar no universo de cada uma das dissertações, TCCs e teses inscritas.
A avaliação foi composta de um conjunto de critérios quantitativos e qualitativos. Nela perguntamos sobre a relevância, impacto e adesão ao campo de estudos das ciências e das tecnologias, bem como sobre estratégias de divulgação científica e aplicabilidade do estudo e análises promovidas. Ainda nessa avaliação pontuamos a valorização da diversidade regional, étnica, racial e ou de gênero e o diálogo com os pilares de pesquisa, ensino e extensão.
Destacamos que a qualidade dos trabalhos e a sua diversidade temática tornaram o trabalho dessa comissão especialmente árduo.

Vamos começar a premiação pelos Trabalhos de Conclusão de Curso:


Ao eleger a temática dos conflitos hídricos em torno do agronegócio, o autor a problematiza de forma competente e joga luz sobre debates que irão reverberar nas próximas décadas. Em um contexto que não é de simples acesso, demonstra-se atento às diferentes dimensões da produção de conhecimento e às disputas por legitimidade, não apenas em termo de oposição (tradicional x científico), mas seus encontros e transformações mútuas
Por essas razões recebe a menção honrosa o TCC de Lucas Moreira Silva, intitulado “Contra-narrativas de comunidades tradicionais sobre a crise hídrica no Oeste da Bahia: mobilização de contra-expertises na argumentação do problema ambiental”, orientado pelo Prof. Dr. Tiago Ribeiro Duarte (SOL/UnB)
Em uma pesquisa que aborda as tecnologias assistivas, questão de extrema relevância social, a partir da documentação do processo inovador de desenvolvimento participativo de tecnologia assistiva. O TCC oferece contribuição ao campo CTS por apresentar aplicação exemplar do olhar sociotécnico na Engenharia de Software, articulando conhecimentos interdisciplinares de computação, educação, linguística e design. A qualidade do trabalho, aliada ao seu potencial transformador e metodologia replicável para outros projetos de inclusão tecnológica. Destacamos sua relevância social e a nitidez com que narra a experiência de pesquisa, o tornando um registro valioso e uma referência para projetos futuros na área de acessibilidade e tecnologia.

Recebe o prêmio de melhor TCC o trabalho “LIBRASOffice: a remodelagem do software a partir de um olhar sociotécnico” de Lidiana Souza dos Anjos, orientada pelo prof. Prof. Dr. Luiz Arthur Silva de Faria (UFRJ).


Partindo para as dissertações:


A dissertação que recebe a menção honrosa apresenta tema relevante e atual e uma análise essencial para o campo CST, especialmente sobre agência de não humanos, tema super atual e urgente. O autor se baseia em referências de diferentes campos, como antropologia, sociologia, filosofia, ciência da computação e comunicação. O trabalho apresenta um compromisso com as pessoas leitoras, considerando a temática de difícil compreensão fora do campo CTS. Para deixar o texto mais fluído e acessível, faz o uso de exemplos e imagens que sistematizam as principais ideias do texto e a própria agência dos algoritmos. Ainda, a partir da literatura feminista, o autor apresentou escolhas políticas e preocupação com questões relacionadas aos marcadores sociais da diferença. Trata-se de uma discussão interdisciplinar, especialmente no campo da computação e da sociologia, contribuindo de forma significativa para o campo CTS no Brasil.
A menção honrosa vai para Rafael Gonçalves, com a dissertação “Mediação algorítmica e aprendizado de máquina : uma caracterização baseada em patentes da Google sobre técnicas de modulação de atividade”. Este trabalho foi orientado pelo prof. Dr. Pedro Peixoto Ferreira (UNICAMP).
A dissertação de Emília Braz representa uma referência paradigmática para os Estudos Sociais da Ciência e Tecnologia, expandindo o conceito de cisgeneridade em perspectiva material-semiótica, com rigor teórico e metodológico, engajamento interdisciplinar, criatividade comunicacional e profundo impacto social. Trata-se de um trabalho que valoriza as diversidades e enfrenta os regimes de exclusão e normatividade do campo biomédico e social brasileiro. O trabalho é inovador e transformador nas agendas do campo CTS, política trans, estudos biomédicos e práticas feministas/queer.
Recebe o prêmio de melhor dissertação de mestrado o trabalho “Hair is Everything: Materializando a cisgeneridade a partir dos pelos corporais” de Emília Braz, orientada pela Profa. Dra. Paula Sandrine Machado e co-orientado pela Profa. Dra. Fabíola Rohden (UFRGS).


Finalmente as teses:


O trabalho que recebe a Menção Honrosa oferece análises fundamentais para compreender como emergências de saúde pública são gerenciadas cientificamente e quais são seus impactos sociais diferenciados. O estudo das hierarquias científicas nacionais e internacionais, especialmente as relações Norte-Sul Global, oferece subsídios importantes para debates sobre financiamento e colaboração científica. A investigação sobre participação pública na ciência e os limites da democratização do conhecimento científico pode contribuir para discussões sobre comunicação científica e engajamento público com a ciência no Brasil. A tese é parte de uma pesquisa de fôlego, demonstra rigor metodológico, originalidade conceitual e relevância teórica ao desenvolver uma etnografia da ciência em construção durante e “após” uma emergência de saúde pública.

Recebe a menção honrosa na categoria tese de doutorado Thaís Moreira Valim, intitulada “Fazendo ciência, fazendo a síndrome Congênita do Vírus Zika: Práticas, relações e infraestruturas científicas na resposta à epidemia de Zika em Recife/PE”, orientada pela profa. Dra. Soraya Resende Fleischer (UNB).
A autora da tese premiada nos convida a encarar uma armadilha. Desde o início do texto, ela nos desafia e convida a mergulhar nesse trabalho instigante, provocador e inovador. Ao lermos a tese e explorarmos seus muitos materiais - convidamos a todos que acessem essa tese - a autora excede expectativas ao apresentar resultados em diferentes suportes tanto técnicos quanto estéticos, ampliando de forma exemplar, as formas de acesso e possibilidades de apropriação do conteúdo. Essa tese é exemplar na proposição e na manutenção de perguntas que não é apenas norteadora da pesquisa, mas desafiadora do cânone disciplinar e diálogos interdisciplinares. Quando nos permitimos cair na armadilha da autora, somos convidadas a romper estigmas e tabus de gênero que marcam nossos corpos.
O prêmio ESOCITE de melhor tese de doutorado é entregue para “MANCHANDO: (O QUE) FAZER (COM) A MENSTRUAÇÃO. ESTRATÉGIAS E EXPERIMENTOS PARA VAZAR QUESTÕES FEMINISTAS ATRAVÉS DAS TECNOCIÊNCIAS" de Clarissa Nunes Reche, orientada pela profa. Dra. Daniela Manica (UNICAMP).

Parabéns a todos os trabalhos premiados! A ESOCITE.BR se enriquece com as suas contribuições!

Débora Allebrandt
Isabel Cafezeiro
Polyana Valente

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